4 motivos para não oferecer chupeta ao bebê em aleitamento materno (e tantos outros para qualquer bebê) – Maternidade Sem Neura
Amamentação Sem Mitos

4 motivos para não oferecer chupeta ao bebê em aleitamento materno (e tantos outros para qualquer bebê)

Chupeta, na nossa sociedade, é sinônimo de bebê. Chás de bebês são enfeitados inocentemente com essa imagens, as bonecas das crianças vêm com ela envolta ao pescoço e não é preciso andar muito para vermos um bebê chupando chupeta.

Quando a Manu entrou na creche, com seus 7 meses de vida, era uma das poucas que não usava esse acessório e me lembro perfeitamente da pergunta da diretora sobre isso, querendo saber como ela seria acalmada. Enfim, acaba sendo diferente o bebê que não usa chupeta. Enquanto isso, a recomendação é de que a chupeta não seja oferecida como rotina à qualquer bebê. E, mais, é comprovado que chupeta interfere negativamente na amamentação. E qual o grande problema da chupeta? Ou melhor: quais os problemas? Aqui vão eles!

chupeta

1. O bebê vai mamar menos!

Você já deve ter ouvido alguém falando que o bebê está fazendo o peito de chupeta. De onde vem isso? Um bebê, principalmente no primeiro ano de vida, resolve muito das suas demandas pela sucção: sono, medo, cansaço, dor, tédio, conforto… Então, um bebê amamentado vai pedir o peito diversas vezes ao longo do dia, mesmo que não esteja com fome. Mas, independente do motivo que o levou a mamar, ela estará extraindo leite e, consequentemente, nutrindo-se. Além disso, por meio dessa sucção em intervalos tão curtos, o estímulo para que a mulher produza mais leite é aumentado, proporcionando que o bebê tenha leite disponível sempre que pedir.
Mas se essa necessidade de sucção é satisfeita com a chupeta, o bebê mamará menos vezes, ingerindo menos energia e nutrientes. Pior, a mulher produzirá menos leite, o que pode levá-la a uma produção insuficiente de leite. Aí vem o mito de que o peito está secando naturalmente ou que o organismo da mulher não produz quantidade adequada de leite. Normalmente, não tem nada errado com o organismo feminino. O que tem de errado é a forma que ela é orientada a amamentar. Então é o peito que é feito de chupeta? Ou a chupeta que é feita (mal-feita) de peito?

2. A chupeta causa confusão de bicos 

Mamar no peito é um aprendizado ao bebê (e para a mulher também) e exige muita habilidade e esforço desse ser tão novo. E qualquer outro bico, que não seja o do seio materno, estimula o bebê a fazer pega e sucção diferenciadas. Assim, quando ele vai ao peito, ele pode tentar reproduzir a pega que fez no bico artificial. Qual o problema disso? Vários! O primeiro é a dor que pode causar na mãe decorrente de uma pega incorreta. E uma mulher que amamenta com dor tende a ficar menos motivada a manter essa amamentação ou estará mais propensa a abandonar a amamentação diante de qualquer problema. Além disso, com e pega incorreta, a sucção é menos eficiente, ou seja, o bebê tende a não conseguir extrair o leite na quantidade que ele precisa. É aquele bebê que passa horas no peito e tem dificuldade de ganhar peso, porque, simplesmente, não está conseguindo obter o leite que precisa. Daí para o médico sugerir um complemento, não precisa muito.

3. O bebê vai dormir mais à noite

Você deve estar achando que me enganei. Afinal, um bebê que dorme à noite é o sonho de consumo de qualquer mãe. Mas, vamos lá! É uma minoria que dorme à noite toda logo nos primeiros meses de vida. E isso não é à toa ou uma punição à mulher. Como o bebê tem um estômago bem pequeno (com um mês de vida, tem o tamanho de um ovo), a quantidade de leite que ele ingere em cada mamada também é pequena. E o leite materno é digerido rapidamente, proporcionando sensação de fome depois de pouco tempo. Isso faz com que o bebê acorde inúmeras vezes para mamar. É um ritual bastante cansativo para o adulto, mas de extrema importância para a sua saúde nesses primeiros meses. Além disso, o hormônio responsável pela produção do leite materno, a prolactina, tem seu pico durante a madrugada, ou seja, quando eu amamento à noite, minha produção de leite está muito melhor protegida. Mas se esse bebê tem a chupeta levada à sua boca nesse momento, por meio da sucção, ele poderá “enganar” sua fome e continuar dormindo. Infelizmente, esse bebê perdeu uma chance importante de mamar. E como manter a nossa sanidade com essa (falta de) rotina de sono? Leia aqui sobre a cama compartilhada!

4. Tem risco de desmame precoce a qualquer tempo

O impacto da chupeta não é só observado nos primeiros meses de vida do bebê, quando mãe e filho estão se conhecendo. Aquele bebê que perdeu o interesse pelo peito antes dos dois anos tem grande chance de ter sofrido um desmame decorrente da presença de outros bicos. É muito raro um desmame natural antes dos dois anos. E esse desmame é devido a todos os pontos anteriores que trouxe nesse texto: confusão de bicos, queda na produção de leite, diminuição de peso… E é importante entender que desmame precoce é aquele que ocorre antes dos dois anos do bebê, e não somente nos primeiros meses de vida. E ele não é desejável por diversos motivos relacionados à saúde do bebê (menor risco de excesso de peso, impacto positivo no desenvolvimento cognitivo, melhor flora intestinal…) e, também, da mulher (menor chance de gravidez, prevenção de alguns tipos de câncer…).

Mas, se o bebê não mama mais no peito, a chupeta está liberada?

Mesmo assim, tome cuidado! Chupetas podem interferir negativamente na fala e na respiração de bebês, além de alterar a postura da face (já viu aquele bebê ou criança com as bochechas mais caídas e o lábio inferior aberto?). Também pode interferir negativamente no desenvolvimento dos ossos da face e dos dentes. Além disso, é um veículo fácil de microrganismos responsáveis por problemas como viroses e infecções.

Chupeta é um símbolo da infância? Com todos esses argumentos , não deveria!

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