Bebês precisam de compostos lácteos? – Maternidade Sem Neura
Amamentação Sem Mitos

Bebês precisam de compostos lácteos?

Por definição, de acordo com a INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 28, DE 12 DE JUNHO DE 2007, composto lácteo é o produto em pó resultante da mistura do leite e produto(s) ou substância(s) alimentícia(s) láctea(s) ou não láctea, ou ambas, adicionado ou não de produto(s) ou substância(s) alimentícia(s) láctea(s) ou não láctea(s) ou ambas permitida(s) no presente Regulamento, apta(s) para alimentação humana, mediante processo tecnologicamente adequado. Os ingredientes lácteos devem representar no mínimo 51% massa/massa do total de ingredientes do produto. Aqui nesse texto, vou falar especificamente dos compostos lácteos que visam atingir bebês a partir de um ano de idade, em substituição ao leite materno ou ao leite de vaca in natura.

Você sabia que o segmento da indústria produtora de lácteos dedicada aos bebês que mais cresce é a de compostos lácteos? Hoje já se vende tantas fórmulas quanto compostos lácteos para lactentes. E com tanta gente consumindo, inclusive com recomendação do pediatra, a dúvida paira no ar: será que meu bebê precisa de um produto diferenciado?

A indústria justifica o seu uso pela adição de substâncias que não estão presentes naturalmente no leite in natura (ou que estão presentes em outras quantidades). Por exemplo, o fabricante do Ninho Fases 1+ destaca a adição de probióticos, além de uma série de vitaminas e minerais. Milnutri vai para essa mesma linha, com DHA e um “mix de nutrientes”.

O apelo do teor de nutrientes é sedutor e geralmente é por aí que se conquista o consumidor. Afinal, bebês são vulneráveis  a deficiências nutricionais ao mesmo tempo em que são tachados de não inapetentes (não comem direito) e o substituto lácteo viria para livrá-lo de todos esses riscos. Será mesmo?

Fico me questionando porque queremos receber sempre mais do que precisamos. O Ninho Fases, em uma porção, tem 1/3 do cálcio para um dia e mais de 75% da necessidade de vitaminas C e D. Milnutri vai para um caminho parecido. A criança de um ano não recebe somente leite. Aliás, uma alimentação predominantemente láctea, exceto pelo leite materno, a predispõe a falta de nutrientes, incluindo a anemia. Então, se nessa idade, a criança está com problemas com a alimentação sólida, precisamos pensar em como auxiliá-la na alimentação sólida e não trabalhar com a lógica da substituição por uma bebida fortificada artificialmente.

Mais do que isso, é muito questionável receber uma bomba de nutrientes em um só copo, pois eles interagem entre si e não necessariamente serão bem absorvidos. Então, muito disso acaba nem sendo aproveitado. Vale a pena, nesse caso, lembrar que o que mais encarece esses produtos são os nutrientes adicionados.

E não vale a pena receber as fibras das frutas? O ferro, da carne? DHA, dos peixes? Comer nem de longe é só prover nutrientes. Um profissional que só valoriza isso merece ser questionado. Alimentação tem diversas outras representações e significados. Tem a ver com socialização, formação dos hábitos alimentares, relações de afeto… Esse bebê crescerá e, depois, tende a ser a criança com dificuldades alimentares. Ele ficará tomando substitutos lácteos por quanto tempo? E na adolescência e vida adulta?

Você talvez deve estar me achando radical ou exagerada. Nem todos os bebês possuem problemas alimentares e não usam compostos lácteos com o objetivo de substituição das refeições. Nesse caso, só vale pensar porque, mesmo assim, ainda se opta por algo tão processado. Se tenho um bebê que cresce, ganha peso, atinge o desenvolvimento esperado para a idade e, ainda, come, ele já não estaria saudável? Ele pode tomar o composto, mas também poderia passar muito bem sem ele.

Agora, vale a pena enfatizar algo que também gera dúvidas. Se um bebê é amamentado, não precisa de fórmula, composto lácteo ou leite de vaca, mesmo já tendo passado dos 12 meses. A partir dessa idade, ele PODE ter contato com o leite e  seus derivados, mas o aleitamento materno é recomendado até os dois anos, pelo menos, para dar conta de diversas necessidades do bebê. Mesmo mamando poucas vezes no dia, ele ainda é suficiente.

Já o bebê que desmamou precisa ser olhado com mais atenção com relação à fonte láctea e isso precisa ser bem discutido com a família, conciliando seus hábitos e cultura com as necessidades do bebê. Ele é considerado lactente até seus dois anos de vida. Porém, da mesma forma, tendo passado dos 12 meses, ele poderia receber o leite in natura em vez do composto, além de ter um cuidado adequado com relação à sua alimentação.

Concluindo, você até pode optar pelos compostos, mas considerando que eles, em geral, não são necessários. Além disso, é um investimento financeiro bem elevado. Uma lata de 400g custa, em média, 20 reais. Esse lata seria suficiente para cerca de 5 dias, ou seja, 120 reais por mês para a alimentação do bebê, o que seria suficiente para comprar muitos alimentos de verdade para ele. Vale pensar e discutir isso quando o pediatra te prescreve um desses produtos!

 

 

 

2 Comments

Leave a Comment