Alimentação e Nutrição Infantil

Nove motivos para não dar mingau industrializado para um bebê (mesmo sem açúcar)

Está no mercado um produto que está se promovendo como o cereal infantil do bem. Enquanto criticamos as demais opções, riquíssimas em açúcar, esse é ZERO açúcar. Oba! Agora está liberado mingau a partir dos 6 meses? Teve um post no Face onde o fabricante oferecia 6 motivos para dar o produto. Aqui vão, então, 9 para você segurar a onda e investir em outros alimentos. Tentei fazer 7, para ficar bonitinho, mas não teve jeito. Quanto mais escrevi, mais argumentos contrários surgem!

1.O que eu reconheço de alimentos nessa lista de ingredientes? No primeiro,  farinha de arroz e farinha de aveia! São 21 ingredientes e somente dois são itens comuns, que reconhecemos como comida. O restante é constituído por vitaminas, minerais, aromatizantes e maltodextrina. No segundo, são 22 ingredientes, sendo 4 alimentos. No terceiro, uma mistura com 5 farinhas… e mais um monte de outros componentes.

2.Para que dar farinha para um bebê como lanche? Até um ano, bebês só precisam de frutas nos intervalos das refeições principais. Quer dar algo mais incrementado? Isso é um desejo seu, não uma necessidade do bebê!

3.Precisa de tantas vitaminas e minerais? Um bebê é bastante capaz de receber aquilo que necessita por meio das refeições que são oferecidas a ele. Uma “bomba” com tantos nutrientes nem sempre é sinal de mais saúde. Nutrientes interagem entre si e podem não ser absorvidos como previsto. Se o bebê não está comendo direito, o primeiro passo é buscar orientação e não colocar um complemento aleatoriamente.

Versão com farinhas de arroz e de aveia

Versão com farinha, banana e maçã

Versão com 5 cereais

4.Tem maltodextrina! Você sabe o que é isso? É um carboidrato responsável por diversos efeitos. A maltodextrina é usada por praticantes de exercício físico para dar energia e auxiliar na recuperação. Na indústria, ela tem efeito de fazer volume, auxiliar na viscosidade, mas também, dependendo do tipo de maltodextrina, pode dar o sabor adocicado. Sabor doce e bebês não combinam, como já falamos aqui várias vezes. Pense! Se um produto contendo só farinhas, como é o primeiro e o último, como ele fica adocicado? E a maltodextrina possui alto índice glicêmico, ou seja, eleva o açúcar do sangue (glicemia) rapida e intensamente, um fator que está diretamente ligado à obesidade.

5.A textura… como ajuda ao bebê? Um mingau tem sempre a mesma textura! Já se eu amasso um fruta, dependendo de qual eu escolho, tenho uma consistência diferente. Isso é riquíssimo para o bebê formar suas preferências alimentares e, provavelmente, ter menos aversões. Por mais que seja amassada, uma fruta ainda terá alguns pedacinhos que desafiarão seu filho a usar a mastigação. Um mingau? É só engolir!

6.Bebês tem espaço gástrico bem pequeno! Se preencho esse estômago com o mingau, terei um bebê saciado e qualquer outra intenção de oferecer um alimento (de verdade) ou cai por terra ou terei um bebê super alimentado (o que não é nada interessante futuramente pelo risco à obesidade).

7.Mas a proposta não é só substituir uma das refeições pelo mingau? Que mal fará? Pensando que um bebê até 1 ano faz 4 refeições, você está tirando 1/4 delas para dar mingau. Provavelmente, você está tirando o momento da fruta (frutas são recomendadas na quantidade de 3 porções por dia), para oferecer outro tipo de refeição. Mas não tem fruta desidratada? Mesmo com fruta desidratada (e aveia), todos também são ZERO em fibras. Fruta em pó não vale como exemplo de alimento nessa fase, a não ser que seu bebê seja um astronauta!

8.Para preparar, você precisa de leite! E leite para menores de um ano não é recomendado, certo? Aí fica contraditório! A empresa se coloca pró-amamentação e fala que o produto é recomendado para maiores de 6 meses… mas meu filho vai começar a usar leite de vaca precocemente para comer o mingau, contrariando todas as recomendações? No mínimo, estranho!

9.Mas é barato! 75 centavos por porção! Se você der uma mistura de farinhas para seu bebê, ela custará uns 26 centavos. Uma banana custará uns 60 centavos. É barato mesmo?

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