Cuidados com a introdução alimentar de bebês com APLV – Maternidade Sem Neura
Alergias Alimentares na Infância BLW e Alimentação Complementar

Cuidados com a introdução alimentar de bebês com APLV

A alergia à proteína do leite de vaca ou APLV é a mais comum entre bebês, acometendo até 8% das crianças até os três anos. Muitas vezes, ela é identificada ainda nos primeiros meses de vida, quando o bebê está se alimentando exclusivamente de leite.

Os sintomas, que são diversos, podem acontecer quando esse bebê entra em contato precocemente com o leite de vaca por meio de uma fórmula. Porém, a reação pode surgir através do leite materno, quando a mãe passa as proteínas estranhas ao bebê alérgico.

Um desafio para muitas famílias é, ao sexto mês, realizar a introdução alimentar. Surge, nesse período, um receio grande pelo contato acidental com proteínas do leite, mas também pelo medo da criança manifestar outras alergias.

Por isso, é importante que você tenha algumas informações:

  • Primeiro, se você tem um bebê alérgico e o amamenta exclusivamente, saiba que está tendo a melhor opção para a sua saúde. Temos que concordar que, para a mãe realizar uma dieta de restrição para APLV, é necessário muito mais do que uma dedicação individual. Ela precisa de apoio dentro de casa, de seus amigos, familiares e colegas de trabalho. Porém, ela estará oferecendo o melhor alimento para um organismo que já se mostra mais sensível. As fórmulas hidrolisadas são a única substituição caso o aleitamento materno não seja possível, mas são opções inferiores ao leite materno.
  • Não é recomendado antecipar a introdução alimentar em caso de APLV. Ela deve ser iniciada ao sexto mês, tendo em vista todas as vantagens para a manutenção do aleitamento até essa idade.
  • Por outro lado, também não é recomendado atrasar a introdução alimentar. Existem evidências de que a oferta tardia de alimentos pode prejudicar o estado nutricional do bebê. Além disso, ela não oferece proteção imunológica.
  •  Analise junto com o seu médico e nutricionista os sintomas do bebê para decidirem juntos o processo de introdução de alimentos. Um bebê com quadro mais complexo requererá maior atenção e cuidados.
  • Se o bebê é considerado IgE mediado, ou seja, apresenta reações imediatamente ao contato com o antígeno, prepare-se para oferecer um alimento novo a cada 3 dias. Caso a alergia não seja IgE mediada, ofereça um alimento novo a cada 4 dias. Isso tende a ser seguro para que a família perceba reações.
  • Caso o bebê tenha alguma reação, interrompa alimento suspeito.  Avise o médico e o nutricionista.
  • Em geral, recomenda-se que sejam oferecidos, de forma alternada, alimentos dos diferentes grupos. Ofereça frutas, legumes, verduras, cereais, tubérculos, carnes e leguminosas.
  • Considere ingredientes utilizados para o preparo de um alimento como um novo alimento. Isso vale para óleo e temperos. Então, no começo, prefira somente os alimentos cozidos sem adição de mais nenhum ingrediente.
  • Separe utensílios para a preparação da alimentação do bebê com outros que são utilizados em preparações com leite e derivados, especialmente plásticos e madeiras.
  • É possível realizar BLW mesmo em crianças com APLV. Discuta o caso com o médico e com o nutricionista. O grande cuidado que será necessário, provavelmente, é no início da introdução de alimentos. Nessa fase, a família estará conhecendo o organismo do bebê frente a novos alimentos. Por mais que haja receio de outras reações, ainda é mais provável que não seja uma alergia múltipla.

Por mais que a APLV seja preocupante para a família, a alimentação complementar apresenta diversas importâncias. Procure proporcionar momentos de refeições tranquilos e prazerosos. Como qualquer bebê, a adaptação com os alimentos sólidos pode levar semanas ou meses. Não limite o aleitamento nesse período e não force ou pressione seu bebê a comer! Estimule-o a ter uma boa relação com a comida. Isso facilitará, inclusive, na forma como lidará com a alergia ao longo do tempo.

 

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